sábado, 11 de agosto de 2007

Parece inocente...

Quando vista na TV, a propagando do novo portal do Estadão parece bem, bem inocente. Assim como outros vídeos de cerca de trinta segundos, o jornal tem feito uma ampla campanha publicitária para divulgar seu portal. Só que a campanha não pára por aí.

Além de atrair mais usuários para a página - que, de fato, está muito melhor do que já foi e supera, disparado, o de qualquer outro veículo impresso do Brasil -, a empresa dos Mesquita (por mais apagados que estejam por lá, ainda deles) também pretende arranhar a imagem dos BLOGS perante o grande público. Um bom post sobre o assunto segue nessa página do Brainstorm.

Lá estão postadas as três peças publicitárias e um vídeo (postado abaixo) que atacam blogs, todas com esse box "Por onde você tem clicado" no canto direito (clique em 1, 2 e 3 para ver). Por sinal, as três são bem toscas. A segunda foto (do Fredão), aliás, confesso que demorei um tempinho pra entender. Idiota. A imagem que eles tentam incutir na cabeça do usuário acaba se revertendo contra a da própria casa.

Não é segredo para ninguém da área de comunicação de que jornais estão próximos de serem eternizados enquanto peças de museu. As alternativas para sobreviver diante dos novos meios é fator de preocupação em todas as redações de impresso do mundo - como bem visto nas aulas de Gerenciamento de Empresas Jornalísticas com a Profa. Beth Saad. Em 2006, a The Economist - é, aquela símbolo do liberalismo econômico primeiro-mundano, sabe?! - perguntou: "Who killed the newspaper?". Eu não sei, e se vc souber, me deixa um link pra resposta.

Meu, se até a The Economist, com toda a sua áurea simbólica dos grandes poderosos, sabe que a situação é de busca por alternativas -que afloram principalmente no meio cibernético, já que é nesse nicho que se encontram os potenciais consumidores futuros de notícias, os jovens - por que o pessoal do Estado foi querer se queimar com esse público??. Segue trecho da The Economist:
"[...]but even the most cynical news baron could not dismiss the way that ever more young people are getting their news online. Britons aged between 15 and 24 say they spend almost 30% less time reading national newspapers once they start using the web."
Pois é, se queimaram (porque eu também não acredito mais em próclise! hehe). Se queimaram em uma fogueira com folhas de jornal, que queimam bem rápido e fedem muito (e me lembra os dias de férias em Prudente, da fumaça preta, da tosse do dia seguinte e das broncas de Dona Alzira! =). O Estado não precisava disso.

Pena que o pessoal do Grupo tenha se valido de método tão baixo para atacar a blogosfera. E como se fosse possível garantir um efeito de fato lógico na repercussão da campanha. Como eles vão medir os resultados?

Logo eles que inovaram com o Foto Repórter, sob supervisão do Juca Varella - um dos fotógrafos mais competentes do país -, mostrando maturidade suficiente pra trazer o leitor da redação de forma saudável, sem que isso significasse o fim da redação.

Bom, decepção, essa é a palavra. E acho que a banana não devia ser dada pro Bruno não, mas para cada membro da equipe publicitária que montou a campanha, e também para aqueles que a encomendaram.

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