
O Google nunca tratou bem as notícias. Ok, não é uma empresa jornalística. Não tem intenções de "informar" - apesar de se arrogar a missão de agregar todo o conhecimento do mundo. Não tem uma redação em seus headquarters no Sillicon Valley em que jornalistas do mundo inteiro buscam informar os usuários daquele que figura como o grande futuro - ou fantasma - da Internet. Não, o Google não é jornalístico.
Mas existe uma seção Google News. Que reencaminha o usuário ao conteúdo produzido por diversos outros veículos do mundo - esses sim, jornalísticos. O trabalho da empresa, então, é de fazer o caminho de intermediação entre notícia e leitor/internauta. Trabalho esse que requere sim profissionais jornalistas. Bom, estou perdendo o fio da meada - o que é fácil de acontecer quando o assunto é Google.
Bem, a empresa megalomaníaca (e que hospeda esse blog) anunciou recentemente que se tornará o Publisher de quatro agências de notícias - dentre elas, da AP e da AFP. O site de notícias do portal G irá publicar o conteúdo produzido por essas agências. De início, não trará propagandas vinculadas a essas matérias - mas não descarta a possibilidade de isso acontecer no futuro.
O Google já disponibiliza um serviço de agregação de e-mais diário que o usuário pode receber diretamente na sua caixa conteúdo específico sobre determinado assunto. Traz matérias de empresas diversas e não paga nada a elas. O Yahoo, outro gigante da área mas um tanto quanto mais ético no trato da informação, repassa somente aquelas notícias as quais são negociadas com os seus autores.
Não venho defender monopólio da informação, não. Nem crucificar os serviços do Google - dos quais uso até bastante. Mas acredito que o trabalho jornalístico deve ser respeitado como qualquer outro - o que inclui, em um sistema capitalista, a remuneração pelo trabalho realizado. A área sofre tanto com a falta de grana. A tendência de convergência para o meio virtual é evidente. Então, que saibamos fazer negócio. E o Google que pague a conta.

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