domingo, 24 de junho de 2007

"Sodade"

Não, a grafia do título está correta. É criolo, de Cabo Verde, e nome da música da cantora Cesaria Evora, basicamente um "hino não-oficial" do país. Eles, assim como nós brasileiros, também dividem o pedaço da história que trouxe portugueses a nossas terras, e que por cá (e lá), deixaram a língua. No Brasil, ela sempre foi símbolo de unidade nacional - mesmo com suas variações regionais de sotaques e gírias. Em Cabo Verde, a adatpação aos dialetos locais é muito mais evidente, o que torna a identidade do país ainda mais curiosa.

Mas esse post não tem intenção lingüística. A matéria é do NYT, de hoje, domingo 24 de junho. O assunto, assim como maneira como chegou até minha tarde de domingo e me foi apresentado, são exemplos de como o mundo se torna cada vez mais pequeno.

Primeiro, o texto. A matéria, assinada por Jason DeParle, fala sobre como Cabo Verde é uma ilha de habitantes sem fronteiras. Trata da emigração do povo dessa antiga colonia portuguesa, e é cheio de casos específicos que permeiam as três páginas do texto na Web. Esse estilo, cada vez mais presente nas matérias do NYT, representa uma importante concepção dos textos jornalísticos em épocas de abundância de conteúdo mas escassa qualidade no mundo virtual: quem tem paciência para ler um texto longo e enfadonho sendo que a rede tem tanto mais a oferecer? (hehe, esse post já está ficando muito longo). Além, essa ponta de new journalism cada vez mais explícito nas matérias desse que consta entre os maiores jornais do mundo representa uma esperançosa seara para nós, românticos iniciantes.

Segundo, o contato. A matéria era a primeira no email que me chega diariamente, sem custos, com as manchetes do NYT impresso e mais os plus da versão online. Cada seção apresenta até três manchetes, o que torna fácil o acompanhamento do conteúdo diário do jornal. Isso não é exclusividade desse periódico nova-iorquino, mas sem a rede, seria basicamente impossível tal contato.

Terceiro, a abordagem. O texto sobre Cabo Verde é o primeiro de uma série que a empresa passou a produzir sobre imigração no mundo. OK, pauta boa, mais que atual (com o intenso debate sobre alterações legislativas quanto a políticas de imigração nos EUA), e bem tocante, já que não há cidadão de uma grande cidade mundial hoje que não tenha contato direto ou indireto com imigrantes. Mas um texto não basta. Todos queremos mais, e a matéria te dá. Sob o chapéu Multimidia, o jornal oferece um Audio Slide Show - que começa com uma propaganda que pode ser pulada. Dura 2min51s, e, apesar do tom um pouco melódico de DeParle, vale cada segundo. As fotos são profissionais, acompanhadas de legendas, e a sequência narrativa faz com o que "leitor" (talvez precisamos de outro termo) se envolva ainda mais com o assunto.

E não acabou. Um mapa interativo, com os países que mais recebem e "exportam" migrantes. No total, são cinco mapas com diferentes temáticas relacionadas ao assunto, de fácil navegação. Além de, é claro, mapas geográficos da ilha e fotos do local.

"Quem mostra' bo / Ess caminho longe?", versos de Cesaria Evora no seu criolo nativo, em "Sodade". Na minha ousada tentativa de tradução, eu chuto "Quem vos mostra esse caminho longe?". O caminho que me chama à reflexão, no caso, é sobre a forma de se fazer jornalismo que nos espera. Caminho interativo, abrangente, global e facilmente propagável. Pede um profissional versátil, ágil e mais atento, mas também, certamente, mais realizado com o trabalho fornecido ao seu "leitor" (e o instiga a encontrar um outro nome relacionar seu "receptor"). Porque o seu trabalho não vai mais ser escrito hoje para empacotar banana na feira de amanhã. Estará ali, na rede, à disposição para ser explorado de diferentes formas por quem bem se interessar. É um jornalismo moderno, mais completo e fiel a sua conecepção inicial - informar. Para nós, estaria esse caminho ainda longe?

terça-feira, 19 de junho de 2007

Não podia deixar passar....

Final de semestre, trabalhos a sair pelas orelhas, mas não podia deixar essa passar...

"O papel do editor, por exemplo. Bastião de outras mídias, ele agora é questionado. Afinal, se qualquer um pode publicar qualquer coisa na maior tranqüilidade e sem filtro, por que é preciso alguém para arrumar e polir o que foi produzido?" Bruno Rodrigues é autor do livro 'Webwriting,' colunista do site Webinsider e consultor da Petrobras.

Bruno indagou na sua coluna do último dia 18 sobre a necessidade da figura do editor na web. Baseia o seu questionamento no livro de Andrew Keen, The Cult of the Amateur, lançado esse mês nos Estados Unidos.

Bom, eu acredito que a web vem para fomentar o editor que existe dentro de cada um. Não aquela figura maligna que corta e arrasa com textos - afinal, a liberdade da rede, principalmente de espaço, faz com que o sonho do texto não editado se torne cada vez mais real. Mas, um editor não é só o cara chato.

Ele também organiza, e não há dúvidas de que a Web precisa de organização. Nesse contexto, a figura do jornalista como profissional versátil e de formação plural volta a ser estratégica. Bom... volto a falar em breve sobre o assunto, uma reunião de grupo me engoli aqui agora

quarta-feira, 13 de junho de 2007

e lá na França...

... não saiu nem o Le Monde, nem o LeFigaro porque...

sábado, 9 de junho de 2007

Ele se formou jornalista...

...mas em 2004, percebeu que estava um pouco além de sua época. Formado em jornalismo (se alguém conseguir decifrar esse 1001, por favor, compartilhe!), não se contentava com a forma como grandes conhecedores da área em que se diplomava ignoravam o fenômeno da blogosfera.

O blog de JoshSpear começou como o da maioria. Para escrever sobre o que quisesse, com o formato e a cara que bem lhe interessasse. Principalmente para trocar idéias sobre as quinquilharias eletrônicas todas e o mundo virtual em progressão constante. E a coisa foi crescendo...

Hoje, Spear coordena o SpearCreativeGroup, uma empresa de consultoria na área de estratégia de marca, um daqueles lugares com condições semi-perfeitas de trabalho. Pessoal desencanado, horários e dias mais que flexíveis, clima de descontração... e tudo aquilo que achamos que nunca iremos encontrar em uma redação hardnews de um periódico diário semi-falido da LatinoAmérica.

O site, entretanto, trata de assuntos variados, que vão desde arte, livros, viagens a música e tendências. Na barra lateral direita, há um mapa-múndi que indica a localização de Josh no momento.

Hehe, dahora o mapa. Bastante. Queria um também. =)

terça-feira, 5 de junho de 2007

uma boa opção

Foi lançada hoje uma nova versão do site de buscas americano ask.com.

Para a maioria daqueles acostumados a pensar diretamente no Google quando recorrem a uma pesquisa virtual, a visita ao ask, sem dúvidas, vale a pena.

A página principal (de fundo branco que pode ser costumizado) é simples e sem segredos. Já os resultados podem surpreenders.

Exemplo: ao se digitar "Brazil", o mecanismo já traz um box inicial com informações oficiais do país encontradas no site da CIA; uma barra lateral esquerda com assuntos espeficados, outra direita com fotos, vídeos, imagens e um artigo wikipedia. Tudo isso com diagramação equilibrada e simples. No canto inferior da página, há inclusive um indicador da temperatura em SP (no momento, 70F --há possibilidade de alteração para C).

A página de buscas do Google atrai cerca de 50% de todas as pesquisas realizadas por usuários americanos. O ask está atrás somente do Yahoo e do Microsoft, e à frente do AOL, com pouco mais de 5% do número de pesquisadores online (de acordo com a firma de pesquisas comscore).

segunda-feira, 4 de junho de 2007

"...economia, cortes de despesas..."

O título desse post revela uma das razões que não me levam ao JUCA desse ano. Decisão difícil, mas me parece que prudente. O meu emprego tá lá, dentro das duas reitorias. A ocupada, onde se encontra minha papelada toda a espera de santificadas assinaturas (que tenho medo de pensar quando de fato aparecerão); e na antiga, onde fica o estúdio e a redação da TVUSP. "Salário...". Hehe, então, vamos mudar de assunto...

O título foi tirado do site no mínimo. A Brasil Telecom, gigante da telefonia no Brasil privatizado, disse que, pelas questões já colocadas no título, não irá mais bancar o site, -- o qual tem suas notícias veiculadas nos três veículos da casa - o IG, o iBest e o BrTurbo.

Os editores, desde quando avisados no final de abril, vêm buscando um novo patrocinador que, até agora, não apareceu. O site deve sair do ar dia 01/07.

No dia 03/06, o no mínimo completou 5 anos e desde então, sempre foi referência para aqueles interessados em análises críticas, mas sempre expostas de forma bem humorada.

  • 150 mil assinantes
  • 3 milhões de pageviews de média mensal
  • audiência que atingiu seu pico em dezembro com mais de 5 milhões de páginas visitadas.
A idéia é deliciosa: "os colunistas (a maioria renomada na área) são colaboradores que encontram na revista eletrônica o espaço ideal para o exercício do jornalismo independente e remunerado". Mas nada de grana no momento.

"Sem isso, NoMínimo fecha seu botequim em julho. Não terá sido o primeiro que vai deixar saudades." dos editores

Bom, realmente não acredito que esse blog é lido por alguém que possa oferecer todo o patrocínio que o no mínimo precisa, mas fica o recado.

E permanece o quebra-cabeça: se esse pessoal, reconhecidamente bom, com um público fixo e nome consolidado, está com problemas de patrocínio, como está o cenário para o resto? Se a Web é o futuro do jornalismo, quem vai pagar por isso?

Medo.

=|

domingo, 3 de junho de 2007

Marcha Virtual e "This account has been suspended"

Ele negou a concessão à RCTV. Estranhamente, começaram a brotar diversos"This account has been suspended" em vários blogs venezuelanos que se uniram para protestar.

Chávez meu, como assim cara?! Então quer dizer que agora vc vai limitar a rede também!? "Próximo passo: criar um Google à la chinesa para a terra de Bolívar", deve pensar o nosso (ini)amigo da boina vermelha. Ah mais pera aí...

Atitudes como essa só fortalecem blogueiros do mundo todo. Agora não dá mais para votar e acompanhar a Marcha Virtual promovida por protestantes venezuelanos, mas bem, sim, eles continuam a escrever e a dividir sua indignação, obviamente.

A página que deu ponta-pé inicial ao movimento, de Luis Runge, agora mostra um aviso de "construccion". No Blog da K@rol há um link para a adesão, que já está "unavailable" (pelo menos é o que mostra minha máquina e o que é confirmado por outros comentários de blogueiros). Aqui, é possível acessar vídeos de estudantes e das manifestações em Caracas.

Patrícia Noriega, jornalista presidente do Congresso Internacional de Jornalismo Digital da Venezuela, está difundindo uma campanha por parte de sua organização para que os blogueiros venezuelanos se manifestem "vestindo de luto" os seus blogs, configurando a aparência de suas páginas para o preto.

Agora mostra, Sr. Chávez, com qual cacetete vossa Excelência vai ameaçar todo esse pessoal?

sábado, 2 de junho de 2007

Tán guapas...

Eduardo Morales/EFE


Bonitinhas as mocinhas, ?! A mulher venezuelana é lembrada facilmente como entre as mais bonitas do mundo. Na terra de Chávez, ser "Miss" é sonho de muitas garotinhas, moças e mamães. Mas dessa vez elas se calaram... e compartilharam sua beleza, formosamente, com milhares de brasileiros que lêem, vêem ou pegam uma versão impressa da Folha de hoje, 02 de junho.

Belas moças, que não se assemelham aos nativos que por aqui se encontravam antes da chegada de Pizarro, agora protestam. Eram funcionárias da RCTV. Será que ela já protestaram alguma vez na vida antes dessa ocasião? Sair ás ruas, fazer panelaço, passar calor e enfrentar sol quente das áreas próximas ao Equador e, ainda por cima, esconder suas belas boquinhas para...protestar?! Hm, acho que não.

Mas elas estavam lá. Junto com muitos outros jovens venezuelanos. De universidades públicas ou particulares, com caras, peles, cabelos e interesses pessoais parecidos ou não. Porque o momento pede essa transposição histórica de barreiras tão solidificadas em sociedades latino-americanas.

Depois da negação de Chávez em renovar a concessão da RCTV, pela primeira vez, protestos estudantis na Venezuela tiveram projeção internacional. Não posso eu afirmar que essa foi a primeira vez que eles aconteceram, realmente não sei. Mas tenho certeza que foi a primeira vez que tive contato com eles.

A liberdade é amiga do jovem. Nós, juntos, nos damos bem. Seja ela qual for. Se criados em sociadades ocidentais ditas democráticas, então, o jovem idealiza a vida por vir sempre contando com ela, a bendita liberdade. É importante tê-la como melhor amiga, e eu a considero de tal forma. Tenho certeza que os jóvenes venezuelanos também.

Por isso, meus amigos de cima, seguem aqui minhas discretas palavras de apoio ao momento de vocês. Protestem sim, porque com liberdade não se brinca. Se jornalistas, então, essa questão entra ainda mais em pauta. Decidi que não iria me ater a esses aspectos nesse post, mas sim a vocês.

O ponto é: não se pode brincar com a NOSSA liberdade. Eu, cidadão brasileiro, digo NOSSA enquanto jovem e idealista. E pelos jovens venezuelanos que foram os protagonistas da última semana. Sem dúvidas, a questão é muito mais abrangente. Mas o ponta-pé inicial tem que partir, sim, daqueles que ainda somos embebidos de ideologia e expectativas.

E, com manifestantes tán guapas, a luta fica até mais fácil.

(Segue a dica: a RCTV continua a produzir conteúdo jornalístico, disponível no youtube. A empresa tem intensão de transmitir via cabo na Venezuela, mas ainda não há perspectiva de início da transmissão, nem se ela de fato vai ocorrer.)

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