Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

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Domingo, 25 de Novembro de 2007

Mudança em épocas de incerteza

Pelo Intermezzo, cheguei na matéria sobre a mudança de prédio do New York Times. O post do blog dizia "NYT integra redação", mas a matéria é bem frustrante se a intenção é falar sobre convergência na produção de conteúdo. Acaba por ser muito mais interessante para arquitetos ou afins, já que trata muito mais dos aspectos físicos da "mudança". Mas não dá para ignorar o impacto.



Impossível ser ambicioso no meio jornalístico e não pensar no NYT. Pela sua fama, pela sua imponência, pela seu poder e pela sua força em termos de impresso (e pelo seu passado, de erros e acertos). Influencia sim o mundo das notícias em escala mundial, não há como negar.

O autor da matéria, Nicolai Ouroussoff, diz logo no começo que escrever aquele texto seria um desafio à parte, pois se falasse só bem "estaria curvando-se aos pés de quem assina seu cheque. Do contrário, estaria assinando minha sua demissão". O texto é equilibrado, mais como uma crítica ao espaço que às mudanças jornalísticas decorrentes.

A redação é de fato integrada em imponentes três andares do prédio (o que pode ser visto em uma interessante galeria de fotos e overviews), o espaço é realmente muito bonito e interessante. O investimento claramente não foi pouco, mas pra que investir tanto em impresso, principalmente se for considerado a iminência da morte do impresso -- tão polêmica ao mesmo tempo que prevista por tantos? Todo o conteúdo produzido para a versão online do NYT também sairá desse lugar -- vale lembrar que recentemente todo o conteúdo do site foi aberto para usuários, que só precisam fazer um cadastro para ter acesso.

Bom, a apresentação feita por Ouroussoff deixa claro que as intenções do NYT não englobam somente o meio impresso. Ela é feita, além de por meio do texto - com galeria de imagens e slideshows -, opções interativas (como visualizações em 360 graus), vídeo, e todas essas coisas que somente a Internet propicia. Isso porque o mundo não lê hoje mais em impresso e se informa também, pois é, pela Internet. Se não fosse ela, ha, nunca que eu ía conseguir ler bendito NYT - que aqui pela Av. Paulista deve custar uns 10 reais (uma pergunta pra amanhã - a descobrir!). Palavras de Ouroussoff:

The last decade has been a time of major upheaval in newspaper journalism, with editors and reporters fretting about how they should adapt to the global digital age. In New York that anxiety has been compounded by the terrorist attacks of 2001, which prompted many corporations to barricade themselves inside gilded fortresses. Journalism, too, has moved on. Reality television, anonymous bloggers, the threat of ideologically driven global media enterprises — such forces have undermined newspapers’ traditional mission. Even as journalists at The Times adjust to their new home, they worry about the future. As advertising inches decline, the paper is literally shrinking; its page width was reduced in August. And some doubt that newspapers will even exist in print form a generation from now. Depending on your point of view, the Times Building can thus be read as a poignant expression of nostalgia or a reassertion of the paper’s highest values as it faces an uncertain future. Or, more likely, a bit of both.


No último dia de Nova York, comprei um NYT pra trazer. Tinha uma matéria de capa assinada por Fernanda Santos. "Caraca, nome muito familiar - poderia ser de qualquer brasileira". Pois era. Por email, descobri que Fernanda é baiana, formou-se em jornalismo no Rio, hoje é casada com um americano e será mais uma a freqüentar o novo prédio da 8a. Avenida. Chegou lá porque devia ter a ambição desses jornalistas com fogo no rabo. O mesmo fogo que promete muito mais em termos de jornalismo para as próximas gerações - afinal, a Rede possibilita um diálogo que vai muito além dos locais em que chega o papel. Espero continuar por perto.


Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

Palavras de um Governo em que poucos crêem

Ok, nunca esconderam. Desde o primeiro momento em que comecei a vestir a camiseta e dizer para o mundo que teria de ser jornalista - ou não seria mais nada - não faltaram olhares apertados, carregados daquela dose de 'dó' ou...'um dia ele desiste disso'. Esses olhares eram distintos daqueles que reconheciam jornalistas somente se estivessem atrás da bancada do Jornal Nacional - esses sim, os mais inocentes. Admito que os desconfiados eram os mais pé no chão. Mas exagero também faz mal.

Por que essa abertura extensa e sem muito sentido? Porque esse texto do msnbc coloca a profissão dos jornalistas entre os piores empregos do século XXI. Pois é, de acordo com projeções do governo norte-americano. Leia o trecho específico sobre a carreira:

Another endangered species: journalists. Despite the proliferation of media outlets, newspapers, where the bulk of U.S. reporters work, will cut costs and jobs as the Internet replaces print. While current events will always need to be covered (we hope), the number of reporting positions is expected to grow by just 5 percent in the coming decade, the Labor Department says. Most jobs will be in small (read: low-paying) markets.

Radio announcers will have a tough time, too. Station consolidation, advances in technology and a barren landscape for new radio stations will contribute to a 5 percent reduction in employment for announcers by the middle of the next decade. Even satellite radio doesn't seem immune from the changes. The two major companies, XM and Sirius — which now have plans to merge — have regularly operated in the red.


Bom, credibilidade é palavra cada vez mais desvinculada à imagem do governo de Washington, não precisa nem dizer (lembra, eles tentaram vender uma guera em pleno Conselho de Segurança que, TG, o mundo não comprou!) -mas, ao mesmo tempo, não há como desconsiderar o cenário descrito.

Cenário esse que assusta principalmente aqueles grandes que por muito tempo pouco tiveram que se preocupar com seus espaços de domínio e influência. A Associação Mundial de Jornais também escreveu um artigo sobre o mesmo assunto. Interessante. Bem mais coerente que as palavras do msnbc. Não venho aqui ignorar tudo isso - aliás, acho que esse é o melhor momento para se debater o assunto no meio acadêmico e em todo e qualquer espaço cabível - mas, ao mesmo tempo, não se pode negar que jornalistas continuarão, sim, a ser personagens sociais necessários e atuantes, independente da forma ou plataforma em que atuarem. Vale assistir ao vídeo Prometeus (o vídeo do início do post), assim como ao Epic - ambos facilmente encontrados na maravilha do youtube (mais uma maravilha entre muitas).

A geração de jornalistas que assistiu aos primeiros sinais de transmissão de tevê se assusta com a Internet, não acreditam ser possível atrelar uma coisa e outra de forma coerente. A geração que se forma comigo, os meus colegas de anos e desafios por vir, sabe o quanto a Rede é amiga. Pode resultar em muita merda, concordo, mas é muito mais amiga que qualquer outra coisa. Então, continuemos a tratá-la muito bem, pois ela só tende a enriquecernos - independente das palavras de um governo em que poucos crêem.

Palavras de um Governo em que poucos crêem

Ok, nunca esconderam. Desde o primeiro momento em que comecei a vestir a camiseta e dizer para o mundo que teria de ser jornalista - ou não seria mais nada - não faltaram olhares apertados, carregados daquela dose de 'dó' ou...'um dia ele desiste disso'. Esses olhares eram distintos daqueles que reconheciam jornalistas somente se estivessem atrás da bancada do Jornal Nacional - esses sim, os mais inocentes. Admito que os desconfiados eram os mais pé no chão. Mas exagero também faz mal.

Por que essa abertura extensa e sem muito sentido? Porque esse texto do msnbc coloca a profissão dos jornalistas entre os piores empregos do século XXI. Pois é, de acordo com projeções do governo norte-americano. Leia o trecho específico sobre a carreira:

Another endangered species: journalists. Despite the proliferation of media outlets, newspapers, where the bulk of U.S. reporters work, will cut costs and jobs as the Internet replaces print. While current events will always need to be covered (we hope), the number of reporting positions is expected to grow by just 5 percent in the coming decade, the Labor Department says. Most jobs will be in small (read: low-paying) markets.

Radio announcers will have a tough time, too. Station consolidation, advances in technology and a barren landscape for new radio stations will contribute to a 5 percent reduction in employment for announcers by the middle of the next decade. Even satellite radio doesn't seem immune from the changes. The two major companies, XM and Sirius — which now have plans to merge — have regularly operated in the red.

Bom, credibilidade é palavra cada vez mais desvinculada à imagem do governo de Washington, não precisa nem dizer (lembra, eles tentaram vender uma guera em pleno Conselho de Segurança que, TG, o mundo não comprou!) -mas, ao mesmo tempo, não há como desconsiderar o cenário descrito.

Cenário esse que assusta principalmente aqueles grandes que por muito tempo pouco tiveram que se preocupar com seus espaços de domínio e influência. A Associação Mundial de Jornais também escreveu um artigo sobre o mesmo assunto. Interessante. Bem mais coerente que as palavras do msnbc. Não venho aqui ignorar tudo isso - aliás, acho que esse é o melhor momento para se debater o assunto no meio acadêmico e em todo e qualquer espaço cabível - mas, ao mesmo tempo, não se pode negar que jornalistas continuarão, sim, a ser personagens sociais necessários e atuantes, independente da forma ou plataforma em que atuarem. Vale assistir ao vídeo Prometeus, assim como ao Epic - ambos facilmente encontrados na maravilha do youtube (mais uma maravilha entre muitas).

A geração de jornalistas que assistiu aos primeiros sinais de transmissão de tevê se assusta com a Internet, não acreditam ser possível atrelar uma coisa e outra de forma coerente. A geração que se forma comigo, os meus colegas de anos e desafios por vir, sabe o quanto a Rede é amiga. Pode resultar em muita merda, concordo, mas é muito mais amiga que qualquer outra coisa. Então, continuemos a tratá-la muito bem, pois ela só tende a enriquecernos - independente das palavras de um governo em que poucos crêem.

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

faz teeempo

cansado. muita coisa pra fazer, ritmo louco, paulistano. Mas tá legal, melhor assim. Rapidinha só pra ficar com o gostinho de ter passado por aqui.

-- The Guardian lançou uma versão americana. "The Guardian America" - uma troca na seqüência das palavras seria irônica - tem basicamente a mesma cara que o pai britânico. Boa a tentativa de inserir no contexto americano um olhar inglês. Vale checar.
-- Convergência de redação é um dos motivos da demissão de cerca de 2800 na BBC - desses, cerca de 520 do ramo editorial. Triste.
-- Segundo o EditorsWeblog, o El País, já comentado aqui em outros posts, muda de cara para atrair leitores "mais jovens e globais". Já me conquistou há muito tempo, vamos ver se mais "jovens globais" - hehe, se é que posso me considerar assim - passarão a gastar preciosos minutos de seus dias navegando pelas páginas espanholas do EP.

With the aim of increasing their market in Latin America, El Pais will increase the number of foreign correspondents in the region. An expansion of El Pais’ website is also expected. Today 780,00 readers visit the paper’s website daily. 20 percent of the readers come from outside of Spain.
Aí, sono. Por enquanto é isso. Ah, escrevi uma matéria sobre blog esses dias. Pauta legal, hehe.
Volto em breve com um post sobre reuters e celulares... huhuhu

Domingo, 30 de Setembro de 2007

Por onde andavam(mos)?

Blog que não atualiza não é blog. Então prometo me comprometer mais com posts por aqui. Precisava escrever isso pra tirar o peso da consciência.

Muito a dizer e pouca coisa na cabeça. Cansaço de domingo que implora para a segunda não chegar, ao mesmo tempo que luta com a falta de sono de quem durmiu até 12h30. Ah, tava tão gostoso. Mas esse blog tenta ser jornalístico.

Impossível deixar de comentar o que se passa em Mianmar. Meu Deus, lugar tão distante, realidade bizarra, religião tão não cristã (nossa, quantos ~ seguidos). Uma ditadura violenta em uma terra mística.

Jornalistas necessários para levar ao mundo aquilo que ficou tão escondido por tanto tempo. A truculência de uma ditadura militar - elemento recente da memória latino-americana. Aí me pergunto: por que esperar a bolha estourar para gritar para o mundo? (afinal, muitas das imagens realmente gritam, como a de um monge boiando em um rio da capital agora há pouco no Fantástico - pois é, no Fantástico...)

OK, as poucas - e saudosas - aulas que um dia freqüentei no curso de Rel. Int'l da PUC me ensinaram que sim, os Estados são soberanos. Não defendo invasão nenhuma, o caso iraquiano já é suficiente para mostrar o quanto o resultado pode ser um fiasco, com o perdão da comparação. Mas por que jornalistas não fizeram o seu papel antes? Por que só agora recebemos as imagens? Por que ninguém tinha muito interesse em mostrar a situação pré-protestos?




O valor-notícia do protesto, e da conseqüente repressão, não pode ser ignorado. Mas a situação de antes não tinha valor-notícia nenhum, então?

Nessa área tão carente de teorias, peço ajuda para encontrar respostas...

Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

ah


olha a cara dele. perco até o pique pra apertar o shift e colocar maiúsculas. pq não resta muito fôlego diante de tanta palhadaçada. microfones em riste, a imprensa parece que faz a sua parte. e o o resto? e eles? e aqueles que absolveram? e os que se abstiveram? microfone pra você. o meu é esse, e faltam palavras pra expressar toda a indignação. depois do circo ele disse que não há o que comemorar. claro, abafa o caso, mona. sempre. ah, hm, oof.

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