terça-feira, 24 de julho de 2007

Você de cara com um possível futuro presidente

E.R.Lesser - NYT


A idéia é brilhante. E estreita cada vez mais o abismo existente entre gigantes do mundo das notícias e o seu público alvo direto, o cidadão comum. A idéia, simples, foi a seguinte: a CNN, cansada de fazer debates de presidenciáveis para cada vez menos telespectadores, se juntou ao YouTube para trazer as perguntas dos internautas aos pré-candidatos democratas (incluíndo Mrs. Clinton e Mr.Obama) e transmitir a suas respostas a todo o mundo que tem acesso ao canal e também por blogs e pelo portal do youtube em formato de debate.

Claro, como não? Todo mundo tem perguntas para fazer a um candidato à presidêcia. Como o tempo das caixas-postais já são longínquos, agora, a Internet, já parte da família, entra em cena e se mostra mais uma vez aquela parceira quase inseparável. É ela quem pergunta, por você.

Bom, a notícia vem comentada na coluna sobre televisão de Antonio Brasil, do C-se e nessa matéria do NYT. Não vou me ater às pontualidades da ocasião, mas sim dar uma viajada no lance.

Quando isso seria possível sem a democratização dos meios possibilitada pela rede? OK, essa "democratização" pode ser altamente questionada, envolve uma série de fatores econômico-sociais, mas é inevitável assumir que, após conectados, todos tendem a ser mais iguais que em qualquer outra esfera social. Todos ganham a mesma voz, e, a partir de então, tem de mostrar a que vieram. E despontam os talentos - como na pergunta desse garoto que não parece muito mais velho que eu e que fez uma montagem remetendo a Eisenhower para questionar os presidenciáveis. Ele merece palmas, e o público, respostas mais diretas de seus políticos que, sem dúvidas, passam a "freak out" com essas novas tendências.

Em trecho da matéria do NYTimes, o autor escreve que "as perguntas enviadas pelos internautas tendem a ser mais interessantes que as formuladas pelos jornalistas". Ele diz que esses profissionais procuram um momento de "gotcha" com o político em uma situação dessas, enquanto o cidadão comum faz perguntas comuns, e pertinentes. Concordo. Mas daí a colocar em cheque o papel do jornalista é oooutra história.

Alguém seleciona esses vídeos. No caso, pelo o que entendi, são os diretores da CNN. Ou seja, profissionais da área. Um deles cita, inclusive, que esse novo modelo não tende a revolucionar o sistema político nem as eleições no país, mas pode dar o tom de um debate. Sem dúvidas. Foram enviados via YouTube mais de 2300 vídeos. Desses, cerca de 70 foram selecionados e levados ao ar como pergunta aos presidentes.

Então, que se contratem muiiiitos jornalistas para assisterem a todos esses vídeos... hehe.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

E a colaboração...

A geração de material jornalístico por colaboradores (cidadãos comuns que não têm formação na área e que não atuam profissionalmente nela, o que também leva a denominação de 'jornalismo cidadão') gera debates acalorados entre os defensores dessa nova forma de propagação da notícia, propiciada pela democratização de meios encontrada na web, principalmente, e daqueles que a consideram um assassinato total desse ofício.

Com o acidente do avião da TAM semana passada, o UOL se encontrou em apuros após a divulgação de material produzido por leitores (no caso, uma foto enviada por um usuário e colocada na página principal do portal) e, após 28min de sua publicação, descobriu se tratar de uma montagem. A foto original, e a montagem em questão seguem.


A análise desse caso em específico, que foi assunto para um post ombudsman do portal, é feita de forma bem profissional e coesa pela Ana Brambilla nesse artigo que saiu no jornalistas da Web. A Ana está, sem dúvidas, entre as pessoas mais indicadas para falar sobre o assunto no Brasil. Além de extremamente simpática e falante um delicioso português com sotaque gaúcho, ela é editora assistente de conteúdo colaborativo da Editora Abril. Segue aqui o blog dela.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Wikinomics


No blog do Kato, disseram que era assunto pra um post no blog da Rosana (será que ela tem, será?!). O livro, quase certeza que sim. Bom, deve ser uma leitura interessante, e na rede já circula que, a versão em inglês, na Cultura, é encontrada por apenas alguns reais a mais - graças ao Deus que mantém o dólar baixo, provavelmente (seria realmente um Deus ou um Demônio!?! Pera, essa é outra discussão.... hehe).

Bom, eu fiquei curioso. Que o fenômeno é de fato encantador, sem dúvidas. Mas, ao mesmo tempo, querer encontrar na plataforma as esperanças para todas as angústias até então sufocadas pela humanidade também já é demais né... pera ae...

De qualquer forma, queria um em mãos. Hehe, se já tiverem, compartilhem!

terça-feira, 17 de julho de 2007

Sobre Pan e Vaias

Esse artigo, de Antonio Brasil publicado no Comunique-se, discorre pouco sobre as vaias a Lula na abertura do Pan, a cobertura televisiva da festa de abertura e o predomínio dos jogos nas telinhas.

Eu, um paulista apaixonado pela cidade-maravilhosa, recomendo com veemência!

Segue o começo do texto de Brasil (sem tentativas de ironia com o nome, hehe).
As primeiras vaias no Maracanã lotado com transmissão pela TV ao vivo para todo o mundo a gente nunca esquece. Para o prefeito do Rio, César Maia, as vaias foram pedagógicas. Lula ainda tem muito a aprender sobre a Cidade Maravilhosa.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Rola uma identificação?

me respondam se acontece com vcs tbm!... hehe

"Ayer nos salieron todos malos"

Palavras do título com crédito para o técnico da seleção Argentina de futebol, Alfio Basile. A notícia, postada no site do Clarín às 13:37 dessa tarde de segunda-feira, vem acompanhada de um sorriso inevitável no rosto do brasileiro que vos escreve.

O jogo foi bonito, Brasil fez direitinho mas as intenções desse blog nunca foram futebolísticas.

Então vamos falar um pouquinho do site do Clarín. Como a maioria dos portais noticiosos daqui, também surgiu a partir de uma empresa de informação já muito bem estabelecida antes do surgimento da web. O jornal Clarín é o mais vendido na Argentina, e o site, o o nono mais acessado do país (o primeiro de caráter unicamente informativo, de acordo com o site de pesquisa virtual alexa.com). Algumas coisinhas do site que me chamaram a atenção:

  • A página pouco se parece com aquelas que estamos acostumados, no Brasil, de jornais que ainda tem uma forte pressão dos impressos na transposição de conteúdo para o online (Estadao e Folha, principalmente);
  • A coluna lateral da direita dispões as últimas notícias com pequenos parágrafos, fotos ou vídeos (esses últimos, raríssimos nos nossos portais nacionais);
  • As notícias do "Último Momento" são divididas em "El País", "El Mundo", "La Ciudad", "Sociedad", "Deportes", "Tendendicias" e "Entretenimientos". São divisões bem genéricas, mas muitas vezes, melhores do que um batalhão de subpáginas que fazem com que o usuário se perca mais facilmente.
  • No topo da página, há ainda subdivisões para "Versión Impresa", "Elecciones 2007" e "Clasificados". Tudo bem simples, mas eficiente.
  • Os vídeos disponibilizados no portal inicial do Clarín são produzidos pelo canal de televisão "Todo Noticias - Periodismo Independiente". Chegam a ter 13 minutos de duração, o que é uma eternidade para o mundo virtual. O canal de televisão tem treze anos e é do grupo Clarín.
  • O contato inicial leva à impressão de que o site tem pouco conteúdo além daquele de valor noticioso recente. Entretanto, rolando a página para baixo, são encontrados os guías, blogs e seções de serviços tão comuns em portais. Todos ao lado das notícias mais recentes.
Não, não recebi nada do Clarín para escrever esse post (hehe, se bem que estou sim a procura de Freelas). Mas achei interessante entrar em contato com uma página oriunda de um veículo impresso tradicional daquele país e um tanto quanto mais ousada que as encontradas por aqui.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

E começa o Pan!

Para mim, com uma surpresa de cara. A sintonia na Globo do meu apê (que não tem TVPaga) pegava mal. Record com transmissão já às 16:30, enquanto a emissora carioca ainda apresentava sessão da tarde. A programação oficial previa início para às 17:15.

Eu não sabia que o canal do Bispo ía mostrar os jogos. Surpresa inicial. Depois, Britto Jr. chama Heloísa Villela, contratada pela casa no final de maio. Correspondente internacional global em NY por mais de 13 anos, ela é mais uma que migra para os lados da Barra Funda. Está por aqui para o Pan e para a terra de Bush retorna depois dos jogos. Dessa vez, para comandar a sucursal da Record na capital norte-americana.

É claro que a Record está cada vez mais empenhada, e endinheirada, na busca pelo primeiro lugar da audiência - inclusive com o lema "em rumo ao primeiro lugar", que sapeca os ouvidos do telespectador entre uma propaganda e outra.

Agora minha pergunta: será que os investimentos de Macedo vão todos para a superação dos níveis globais no televisivo ou sobrará um pouquinho para investimentos "virtuais" também? Acho difícil. A página da Record é tosquíssima, totalmente baseada na grade do canal. A empresa, pelo que sei, não possuí nenhum portal ou serviço à la G1.

Bom, esperar para ver. E provavelmente pela tela da TV...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Foda viw...

A web abre portas. Às vezes, escancara. Portas de alguns lugares que, de outra forma, seriam completamente inacessíveis. Dessa vez, a notícia veio de um jornal saudita (ArabNews). Rasheed Abou-Alsamh é o autor, e esteve no Brasil recentemente em uma visita à Embraer.

"Despite slavery having been completely outlawed in Brazil in 1888 by Princess Isabel, discrimination continues in acts of violence such as the one against Sirlei", nas palavras de Abou-Alsamh.

OK. A Sirlei do caso é a empregada doméstica espancada por idiotas no RJ. A Princess relatada é aquela que bem conhecemos (ou não, os questionamentos históricos são infindáveis). Mas ter que ouvir crítica social de saudita é um cúmulo, concorda? Podemos conversar também sobre as suas mulheres (que compõem 14% das leitoras do jornal, de acordo com a própria página do veículo). Por que seriam elas tão poucas leitoras? Ah, será que elas sabem ler? Oops.

Depois ele fala da corrupção, de Calheiros (and his lover), de Roriz, da vaca, das descrenças nas desculpas. "Brazilian politics have long been marred by widespread corruption, and the politicians of today are no different". Será que nós, enquanto jornalistas, podemos entrar para falar da dele? Não venha me dizer que nas terras de Profeta ela não existe...

Ninguém aqui prentende esconder ou minimizar o caos social em que o país se encontra. A mídia o faz cotidianamente, a imprensa internacional se delicia com as notícias selvagens e, ao mesmo tempo, encantadoras, dessa terra "de exóticos que promete ser o país do futuro há séculos". Mas que dói ter que ouvir m**** desse pessoal que não conhece se quer uma carta de direitos humanos (ou melhor, as ignora) e proíbe suas esposas e filhas de dirigirem ou saírem às ruas sozinhas, ah, isso é difícil.

"The Internet allows for a more personal relationship between reporter and reader. And at ArabNews we value that relationship", do site do jornal. Bom, que tal começar contribuindo, pessoal do AN, para uma web de fato livre no reino Saudita?! ;)

A WEB traz a notícia até nós... a liberdade jornalística por cá existe e hey, amigo jornalista saudita, seja bem-vindo para noticiar sempre que por cá estiveres. E por favor, me deixa fazer o mesmo em sua terra, vai!?

terça-feira, 3 de julho de 2007

o primeiro de muitos

Férias! Ah, que palavra mais sonora, não?! Oof, nem diga. Pois então, amanhã será meu primeiro "dia oficial" nesse estado de espírito tão especial. Ainda que a querida (sem ironia) FFLCH esteja com seus rumos não muito claros, essa semana vou para o interior e de lá regresso só depois de respirar muito ar mais puro.

E, com as férias, vêm os posts a mais! Yay! Dedicar todo o tempo desejado à net (ou então planejar isso, o que, como muitos outros planos de férias, acaba de certa forma frustrado) e madrugadas em claro só curtindo o puro prazer do ócio criativo. Hehe, dá até peso na consciência, mas Agosto já tá quase aí e devemos então aproveitar Julho!

Bom, acabando com esse tom melódico, coloco aqui a pulga que ficou atrás da minha orelha no dia: ombudsman do UOL. A seguir, trecho do primeiro parágrafo encontrado nessa nova página:

"Jornalismo é tarefa árdua. Quando envolve serviço, torna-se ainda mais. A cobertura da crise nos aeoportos evidenciou as dificuldades do UOL e seus parceiros em prestar um bom serviço ao internauta."(sic)

Eu imagino o quanto não é difícil ser Ombudsman. Olho clínico que encontra aqueles viciozinhos que vão desde os mais intrínsecos às redações até o tendencionismo de coberturas e tudo mais. Tem que ter muito domínio da coisa.

E quando isso envolve um leque tão grande de conteúdo, como no caso do UOL? Ele fica restrito ao jornalismo produzido pela casa? E os serviços (aliás, tema do primeiro post), também entram em pauta?

Logo que acessei, não gostei. O primeiro texto encontrado na página, "A Folha Online com a palavra", é a resposta do editor-chefe da FolhaOnline, Ricardo Feltrin, sobre a coluna da Ombudsman que vem logo em seguida ("Falta serviço"). O leitor mais desatento - e/ou com pressa - pode começar a ler o texto de Feltrin é o do Ombudsman. Na seqüência, manchetes retiradas do portal sobre o assunto . Somente depois de tudo isso, uma "Carta aos leitores", de autoria da Ombudsman Tereza Rangel - datado de hoje, -02 de julho - às 12h34, explicando a nova página do UOL.

A idéia é, sem dúvida, é válida. Qualquer atitude voltada para análise da própria produção jornalística realizada por um grande veículo e disponibilizada ao público deve ser louvada. Sei que a idéia do Ombudman na Web têm sido cada vez mais aplicada, mas ainda resta minha dúvida sobre como é feita essa "vigilância".

"Quer dizer que eu vou representar o público dentro do portal nas questões relativas a conteúdo ou nos problemas que afetem grande número de pessoas", nas palavras de Rangel. Hm, eu voto em 'muito vago'. =}

"Meu objetivo é conseguir identificar os pontos críticos e apontar os erros do portal", da mesma.

Ah, dá pra votar de novo!?!

Enfim, é possível limitar o escopo desses analistas? Talvez vcs possam me ajudar.

Abraçoss!!! E boas férias a todos (que as tiverem)! =D

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